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...escrevo no meu velho caderno porque preciso escrever, nele liberto a besta interior e os meus pensamentos são livres de existir...

Outono de sabores desiguais…

Outono de cores quentes e molhadas, Outono de sombras largas cansadas.
Outono de chuvas frias que entram em todo o lugar, Outono que mostra de mãos vazias estar.
Outono pulsante das ruas da avenida e nos becos em seu redor, Outono centrado em tanta gente e sem um só senhor.

Outono de sabores tão diferentes… Outono de sabores desiguais…

Outono quente à chegada e nunca frio à partida, Outono que permanece por onde passa e nunca está em lugar algum, Outono antigo cheio de lembranças e Outono nascido ontem que não lembra nada nem ninguém. Outono tão natural como o ar em si, Outono estranho e cheio de mistérios como nunca vi. Outono vazio, Outono cheio de cor... e sabor...

Outono de sabores tão parecidos… Outono de sabores desiguais...

A minha cidade interior

Estúpidas derivações ao calhas que têm como cerne apontar uma direcção, porque estou mais uma vez perdido sem saber porquê.
Estas ruas esquisitas que nos confundem em qualquer parte do trajecto, não importa a direcção tomada. Este piso que teima em não me deixar andar ao meu ritmo e exige mais de mim que aquilo que posso dar.
Nos dias de sol ilumina-se a praça onde me podem encontrar, quando chove resguardo-me num qualquer rebordo que surge na parte escura da minha vontade.
Nas ruas da minha cidade não se pode parar, não se pode falar, não se pode sentir seja o que for ou és engolido pelo chão. Nas minhas ruas não se pode voltar atrás e cada atalho leva a lugar nenhum, estás sempre perdido não interessa para onde vais, nunca consegues achar o teu lugar. Na minha cidade não há direcções e em nenhum lugar é o norte, nem sul ou qualquer outra direcção. Na minha cidade não há ninguém senão eu, na minha cidade ninguém quer entrar senão na praça principal onde me podem encontrar, mas apenas nos dias de sol.
Na minha cidade não sou eu quem manda pois é a minha cidade quem manda em mim, apesar de existir apenas cá dentro, ela criou-se assim…